No início de junho, a Embrapa Amazônia Oriental,
através do Projeto Dendrogene, apresentou os resultados
de um trabalho inédito que avaliou o valor medicinal
e nutricional do óleo de piquiá e do leite
do amapá-doce, dois produtos retirados de árvores
com valor madeireiro e utilizados como alimento e no tratamento
de doenças em diversas regiões da Amazônia.
O trabalho fez parte da dissertação de mestrado
da pesquisadora Sílvia Galuppo, ligada ao Projeto
Dendrogene, e que foi defendido no dia 3 de junho na Universidade
Federal Rural da Amazônia.
O estudo iniciou em 2002, com o objetivo de testar o efeito
medicinal dos dois produtos de acordo com o uso recomendado
por uma comunidade tradicional. A pesquisadora esteve
durante 4 meses na comunidade Piquiatuba, localizada na
Floresta Nacional do Tapajós, oeste do Pará,
identificando a forma de exploração e os
usos mais comuns do óleo de piquiá e do
leite do amapá-doce. Ambos produtos são
usados na alimentação dos comunitários,
mas aplicados no tratamento de diferentes doenças.
O óleo de piquiá, retirado do fruto, é
tradicionalmente usado para aliviar dores musculares e
reumatismo, enquanto que o leite do amapá-doce,
um tipo de látex retirado do tronco da árvore,
é aplicado no tratamento de doenças respiratórias,
como asma e bronquite.
Foto
1: arquivo Dendrogene/ Embrapa
Coleta do leite de amapá-doce
Brosimum parinarioides
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O
leite do amapá-doce, um tipo de látex
retirado do tronco da árvore, é
aplicado no tratamento de doenças respiratórias,
como asma e bronquite.
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Foto 2: Mary Menton
Frutos
do piquiá
Caryocar
villosum
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O
óleo de piquiá, retirado do fruto,
é tradicionalmente usado para aliviar dores
musculares e reumatismo
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A próxima etapa foi realizada nos laboratórios
de agroindústria da Embrapa, e de farmácia
e de química de alimentos da UFPA, onde os produtos
passaram por testes químicos, físicos, fitoquímicos
e farmacológicos. Segundo Sílvia Galuppo,
a presença de compostos orgânicos, como esteróides,
triterpenóides e outros, caracterizaram o óleo
de piquiá e o leite de amapá como fitoterápicos,
isto é, medicamentos com componentes terapêuticos
derivados exclusivamente de plantas. Os testes fitoquímicos
e farmacológicos com ratos comprovaram finalmente
a ação antiinflamatória e analgésica
do óleo de piquiá, e ação
antiinflamatória do leite do amapá-doce,
mostrando, de acordo com a pesquisadora, a importância
do conhecimento tradicional para potencializar o uso das
espécies amazônicas no tratamento de doenças.
Quanto ao teste nutricional, o leite do amapá-doce
apresentou inclusive maior quantidade de sais minerais
(magnésio, cálcio, etc.) e proteínas
do que os leites de soja e de vaca. Para cada 100g, foram
encontrados 120mg de cálcio, 70mg de fósforo,
60 mg de magnésio e até 7,13% de proteínas
totais, valores bastante próximos ao que é
recomendado na alimentação diária.
No caso da comercialização destes produtos,
Sílvia, no entanto, aponta alguns fatores limitantes.
O principal problema, segundo ela, é a dificuldade
de conservação das duas essências,
principalmente do leite do amapá-doce, que necessita
de refrigeração quando a maioria das comunidades
produtoras não dispõem de energia elétrica.
Durante sua apresentação, Sílvia
Galuppo enfatizou os cuidados necessários com o
manejo das árvores para a obtenção
de produtos medicinais, especialmente em relação
ao leite do amapá-doce, que é obtido através
de cortes no tronco das árvores. A preocupação
é que o excesso e profundidade dos cortes prejudiquem
a produção de leite da árvore, tornando-a
fraca e comprometendo sua conservação no
local. Segundo os professores que avaliaram o trabalho,
este estudo contribuirá principalmente para incentivar
o uso d
e outros produtos florestais além da madeira,
reduzindo as pressões sobre a floresta.
Fonte:http://www.floraefauna.com/artigostecnicos/artigo27.htm
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